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Resenha: Filme Fragmentado

imagem do filme fragmentado

Um estudo de roteiro: As 5 fábulas de Casey

S ó por esses dias, que finalmente assisti a mais um sucesso de um dos cineastas que mais considero nas telonas: M. Night Shyamalan. E como sempre não me arrependi.
Como de costume, sem gastar absurdos em orçamentos para a produção de seus filmes, o cineasta indiano, já conhecido por filmes como Sexto Sentido, A Vila, Sinais, Fim dos Tempos, Corpo Fechado entre outros, mais uma vez conseguiu amarrar o público na poltrona com uma premissa forte, um ótimo enredo e personagens bem construídos.
Escrito e dirigido por Shyamalan, o enredo gira em torno de Kevin, interpretado por James McAvoy (que aliás está incrível em sua atuação) e possui 23 personalidades distintas, uma variação evolutiva do TDI (Transtorno Dissociativo de Identidade) ,conseguindo alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento, sendo uma delas Casey, interpretada por Anya Taylor-Joy, que tem um papel de destaque na trama. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar.
Kevin tem sessões de terapia semanais com a Drª Karen Fletcher, a qual quem dá vida é a atriz Betty Buckley. A terapeuta desenvolveu um estudo pioneiro em relação ao TDI, o qual prova através de seus pacientes, que o distúrbio é uma espécie de evolução da raça humana, que por sofrerem traumas , conseguem por meio de suas diversas personalidades, utilizando partes adormecidas da mente, alterarem quimicamente seus corpos e assim compensar o sofrimento causado pelos traumas que sofreram. O que ela não imaginava é que Kevin, iria além disso. Ele não só pode adaptar o corpo conforme uma das 23 personalidades que possui, como esconde uma 24ª, que segundo três de suas personalidades que passam a dominar constantemente seu corpo, seria a evolução que deixaria Homo Sapiens para trás.
E é a partir desse pensamento, que para suprir a necessidade dessa 24ª personalidade, que os demais chamam de “A Besta”, Kevin sequestra três jovens que deverão ser oferecidas a essa entidade superior
Tirando a atuação fora de série de James McAvoy ao dar vida a 5 das 23 personalidades de Kevin, a força da história recai sobre Casey, que surge como uma jovem problemática que prefere se manter longe de outras pessoas na escola. A rebeldia serve apenas como uma capa que esconde um grande trauma de infância. E é aí que entram as 5 fábulas de Aristóteles que levarão a personagem a sofrer sua correção de caráter ao ter de enfrentar seu maior medo e lutar pela própria vida para não sucumbir a fome da Besta. Na história de Casey, podemos enxergar claramente as 5 Fábulas de Aristóteles que até hoje são uma das ferramentas mais poderosas para se dar profundidade, fazer com que o personagem cresça na trama e sofra (ou não) sua grande transformação.
Fica nítido que o comportamento dominante ou a falha de caráter que deve ser corrigida em Casey é o medo. Um medo que provém da infância ao não ter tido coragem de enfrentar um tio abusivo. O clímax, onde Casey se vê obrigada a superar esse medo ou morrer ,se dá no enfrentamento final com a Besta. Aliás, um desfecho surpreendente , mas do qual não falarei aqui para não dar spoiler.
O filme todo é repleto de muita tensão e suspense como todo bom terror psicológico, ainda mais os escritos e dirigidos por M. Night Shyamalan. Mas o final, achei ao meu ver, espetacular. Fazia tempo que não assistia a um filme com um final tão cheio de surpresas como o de Fragmentado. Em primeiro por deixar uma dúvida, um algo em aberto em relação a correção de caráter de Casey. Apesar de sabermos que ela saiu transformada da experiência, Shyamalan planta a semente da dúvida se ela aplicará o que aprendeu para sua vida ou não.
E quanto ao desfecho da trama, a ligação que o cineasta faz com um de seus outros filmes, nos faz dar um grito de “Aí sim!”, deixando o gostinho de que existe a possibilidade de uma continuação.

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